Liturdia
Vida de santos

Santo Antônio Maria Claret: do tear de Sallent ao arcebispado de Cuba

Tecelão catalão, missionário e arcebispo de Santiago de Cuba, Antônio Maria Claret fundou os Claretianos e foi canonizado por Pio XII em 1950.

Retrato fotográfico de Santo Antônio Maria Claret, por volta de 1860, sentado, com solidéu, mozeta, rocheto e cruz peitoral de arcebispo

No dia 24 de outubro a Igreja faz memória de Santo Antônio Maria Claret, bispo, missionário e fundador da Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, os Claretianos. O Calendário Romano Geral o celebra como memória facultativa, na data da sua morte, em 1870.

Um tecelão na Catalunha

Antônio Maria Claret y Clará nasceu em Sallent, perto de Barcelona, na Catalunha, em 23 de dezembro de 1807. Segundo o Vatican News, vinha de uma família numerosa e profundamente cristã, e desde menino se destacou pela devoção à Virgem Maria e à Eucaristia.

O pai era um pequeno fabricante de tecidos de lã. Aos doze anos, Antônio foi trabalhar no tear da família e, mais tarde, mudou-se para Barcelona para se aperfeiçoar no ofício, que exerceu até cerca dos vinte anos. A Catholic Encyclopedia registra que, nesse período, ele também estudou latim, francês e gravura.

Sacerdote e missionário

Em 1829 Antônio entrou no seminário de Vic (Vich) e foi ordenado sacerdote em 13 de junho de 1835. Recebeu um benefício na paróquia natal e exerceu depois o ministério em Viladrau e Girona, onde se destacou pelo cuidado com os pobres.

O desejo de ser missionário o levou a Roma. Ali, depois de fazer os Exercícios Espirituais com um jesuíta, entrou no noviciado da Companhia de Jesus, mas uma doença o obrigou a voltar à Espanha, como relata o Vatican News.

De volta à Catalunha, dedicou-se às missões populares. Segundo a ACI Prensa, percorreu a região a pé entre 1843 e 1847, sem aceitar dinheiro pelas pregações. Em 1848 seguiu para as Ilhas Canárias, onde pregou por cerca de quinze meses e ficou conhecido como taumaturgo. Ainda em 1848, fundou em Barcelona a Librería Religiosa, editora que, segundo a Catholic Encyclopedia, publicou milhões de exemplares baratos de obras católicas.

A fundação dos Claretianos

Em 16 de julho de 1849, no seminário de Vic, Claret fundou com cinco sacerdotes a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria. O Vatican News recorda que 271 membros da congregação morreram como mártires da fé durante a guerra civil espanhola.

Arcebispo de Santiago de Cuba

Poucas semanas depois da fundação, Claret recebeu a notícia de que tinha sido indicado para arcebispo de Santiago de Cuba, então colônia espanhola. A indicação partiu da Coroa espanhola, e a nomeação foi feita pelo Papa Pio IX. Foi ordenado bispo em Vic em 6 de outubro de 1850 e assumiu a arquidiocese em 1851. (As fontes variam na data que atribuem à nomeação: a ACI Prensa fala da notícia recebida em 1849; a Catholic Encyclopedia e o Vatican News indicam 1851.)

Encontrou uma diocese desorganizada. Convocou um sínodo, exigiu do clero os Exercícios Espirituais, reorganizou o seminário e visitou todo o território da arquidiocese. A Catholic Encyclopedia relata que, nos dois primeiros anos, ele regularizou mais de nove mil casamentos, além de fundar um hospital e várias escolas.

A ação pastoral lhe trouxe inimigos. A mesma enciclopédia fala em mais de quinze atentados contra a sua vida. O mais grave aconteceu em Holguín, em 1º de fevereiro de 1856, quando um agressor o feriu com uma faca no rosto, de uma orelha ao queixo.

Em 1855, com a venerável Maria Antônia París, Claret fundou em Cuba as Religiosas de Maria Imaculada, também chamadas Missionárias Claretianas.

Confessor da rainha

Em 1857, a rainha Isabel II chamou Claret de volta a Madri para ser seu confessor. Ele renunciou à sé de Santiago de Cuba e recebeu o título de arcebispo titular de Trajanópolis. Durante nove anos foi também responsável pelo mosteiro do Escorial, onde, segundo a Catholic Encyclopedia, criou um laboratório científico, um museu de história natural, uma biblioteca, um colégio e escolas de música e de línguas.

A revolução de 1868 derrubou Isabel II, e Claret acompanhou a rainha e a corte no exílio, em Paris.

O Concílio Vaticano I e a morte no exílio

Em 1869, Claret foi a Roma para participar do Concílio Vaticano I, onde defendeu a infalibilidade papal.

Com a saúde abalada, retirou-se para a França: primeiro para Prades e depois para a abadia cisterciense de Fontfroide, perto de Narbona. Ali morreu em 24 de outubro de 1870.

Claret deixou mais de 130 obras impressas, entre catecismos, sermões e livros de piedade, além de uma Autobiografia escrita por ordem do seu diretor espiritual.

Beatificação e canonização

O processo informativo da causa começou em 1887, e o Papa Leão XIII declarou Claret venerável em 1899. Em 1897 seus restos mortais foram trasladados para a casa dos missionários em Vic.

O Papa Pio XI o beatificou em 25 de fevereiro de 1934. O Papa Pio XII o canonizou em 7 de maio de 1950, na Basílica de São Pedro. Na homilia da cerimônia, o papa determinou que a sua memória fosse celebrada todos os anos em 24 de outubro, dia da sua morte. No dia seguinte, 8 de maio, Pio XII recebeu os peregrinos espanhóis que tinham vindo a Roma para a canonização. O Vatican News registra o rito em 8 de maio; a homilia oficial no site do Vaticano e o GCatholic indicam 7 de maio. Segundo o Vatican News, o papa descreveu o novo santo como um homem modesto, mas capaz de impor respeito, e grande devoto da Mãe de Deus.

Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!

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